A história só se repete como farsa
Esta frase de Karl Marx me veio à mente ontem, quando assisti Diários de Motocicleta, do diretor Walter Salles. De maneira sutil e bem humorada, o filme narra a peregrinação de Ernesto Guevara pela América do Sul. Chocado com a pobreza e a injustiça social que encontra ao longo do caminho, fuser, como era conhecido na época, identifica-se com a luta dos camponeses por uma vida melhor. A história mostra, portanto, a transformação de um jovem estudante de medicina de classe média alta, em um dos maiores revolucionários da história latino-americana, símbolo da luta contra o capitalismo e o imperialismo norte-americano.
Bem... agora, se me permitem, abro um parênteses na biografia de Che para contar-lhes uma outra história. No final dos anos 30, do século XX, surgia na Europa uma grande força política: o facismo. A possibilidade de um conflito internacional de amplas proporções parecia, a cada dia, mais provável. A América Latina, a costa brasileira em especial, era considerada área estratégica no caso de guerra. Getúlio Vargas, então presidente do Brasil, era simpatizante dos ideais nacionalistas da extrema direita. A Alemanha, na época, havia se tornado o segundo maior parceiro comercial do Brasil.
Curiosamente, nos anos 40, Carmen Miranda tornou-se estrela em Hollywood, Walt Disney visitou o Brasil e criou o personagem Zé Carioca, e o governo brasileiro conseguiu financiamentos e empréstimos vantajosos com os Estados Unidos. Essa “Política da Boa Vizinhança”, portanto, foi fundamental não apenas para manter a América Latina como aliada durante a Segunda Guerra, como também para garantir a posição hegemônica dos Estados Unidos no pós-guerra. Fecho parênteses.
Voltando ao filme Diários de Motocicleta, sabem aonde eu o assisti? Na SALA DISNEY, do Cinemark, do Shopping Sta. Cruz. Antes dos trailers, teve uma apresentação com o Mickey, a Minie, o Pateta, o Pluto e o Pato Donald. Irônico, não? O coitado do Che deve estar se revirando no caixão até agora...
Posted by Karina às 16h28
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Nostalgia
Tenho saudades dos domingos que eu passava na chácara dos meus avós, da piscina, do almoço em família, de chupar mexerica tirada do pé, de comer amoras, de balançar na rede, de jogar baralho, de sentar à beira da lareira, das festas juninas...
Tenho saudades de passar as sextas-feiras na casa da minha madrinha, brincar com o Preto, seu cachorro, e esperar ansiosa pelos bolinhos de chuva que ela servia no fim da tarde...
Tenho saudades de dormir na casa da Vó Lúcia, de assistir ao desenho do Papa-Léguas com meu avô, de brincar de caça ao tesouro com meus primos, de ajudar minha vó a fazer bolos para poder lamber o restinho da massa na tigela, de esperar ansiosa a visita dos meus tios de São Paulo, nos feriados...
Tenho saudades de passar as férias de julho em Jacareí, na casa dos meus avós paternos, de jogar banco imobiliário e dominó com meu avô, de deitar no colo da minha avó para assistir Sessão da Tarde, de andar à cavalo no sítio do tio Guido...
Tenho saudades dos natais em que eu dormia na sala para esperar Papai Noel, mas nunca conseguia ouvi-lo chegar...
Tenho saudades da minha intensa adolescência, das balada de segunda a segunda, das viagens de carona, dos shows de fim de semana, dos meus amigos queridos que eu quase não vejo mais...
Tenho saudades dos dois primeiros anos da faculdade de História, das festas que rolavam todas as sextas-feiras, dos jogos de RPG nas salinhas de pós, de sair da aula e emendar uma sessão de cinema do Espaço Unibanco, de tantas pessoas legais que eu conheci e depois perdi o contato...
A todos vocês que fizeram ou ainda fazem parte dos bons momentos da minha vida, meu muito obrigado!
Posted by Karina às 00h12
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Frase do dia
Quanto mais nos elevamos, menores parecemos aos olhos daqueles que não sabem voar. (Nietzsche)
Posted by Karina às 13h41
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Um pouco de música...
Aproveitando o clima do filme Cazuza - O tempo não pára, que infelizmente ainda não tive a oportunidade de assistir, selecionei esta música que tem tudo a ver com o clima deste blog:
Blues da Piedade (Cazuza)
Agora eu vou cantar pros miseráveis Que vagam pelo mundo derrotados Pra essas sementes mal plantadas Que já crescem com cara de abortadas Pras pessoas de alma bem pequena Remoendo pequenos problemas Querendo sempre aquilo que não têm Pra quem vê a luz Mas não ilumina suas minicertezas Vive contando dinheiro E não muda quando é lua cheia Pra quem não sabe amar Fica esperando Alguém que caiba no seu sonho Como varizes que vão aumentando Como insetos em volta da lâmpada Vamos pedir piedade Senhor, piedade Pra essa gente careta e covarde Vamos pedir piedade Senhor, piedade Lhes dê grandeza e um pouco de coragem Quero cantar só para as pessoas fracas Que estão no mundo e perderam a viagem Quero cantar o blues Com o pastor e o bumbo na praça Vamos pedir piedade Pois há um incêndio sob a chuva rala Somos iguais em desgraça Vamos cantar o blues da piedade Vamos pedir piedade...
Posted by Karina às 01h57
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